Light Grey Pointer Uma vida Literária : Resenha: O Garoto do Cachecol Vermelho

21 de outubro de 2016

Resenha: O Garoto do Cachecol Vermelho


Título: O Garoto do Cachecol Vermelho
Autora: Ana Beatriz Brandão
Editora: Verus
Páginas: 294
Sinopse: Melissa é uma garota linda, rica e mimada, que sempre consegue o que quer e tem todos na palma da mão. Ela acredita que a carreira de bailarina é a única coisa que realmente importa, porem suas certezas são abaladas quando faz uma aposta com um garoto misterioso, que parece ter como objetivo virar sua vida de cabeça para baixo. De repente, Melissa se vê dividida entre dois caminhos: realizar seu maior sonho, pelo qual batalhou a vida inteira, ou viver um grande amor. Mas, não importa aonde ela vá, todas as direções apontam para o garoto do cachecol vermelho...


Resenha:

Logo que a Verus anunciou o lançamento de O Garoto do Cachecol Vermelho, ele automaticamente entrou na minha lista de desejados, afinal de contas ele tinha todos os elementos básicos que me chamam atenção: uma capa linda, personagens que exigem uma mudança de personalidade ao longo da trama, um romance fofo... Enfim, então não posso negar que as minhas expectativas estavam nas alturas, e se tem uma coisa que não podemos criar são as benditas expectativas. Não gente, o livro não é ruim, mas não posso negar que ele está bem longe de tudo que eu esperava. Então não posso negar que de certa forma ele me surpreendeu, tanto para o lado positivo, quanto para o negativo.
Logo no inicio do livro nos somos apresentados a Melissa uma jovem de temperamento forte, mimada e com o olhar extremamente voltado para o preconceito. Mas toda essa arrogância não passa de uma mascara que ela usa para esconder tudo que ela já passou (não que seja uma justificativa, afinal de contas, um erro não justifica o outro).
Mesmo muito nova, Melissa já teve que superar inúmeros traumas, o pai que morreu logo que ela nasceu, a mãe que parece nunca tem tempo para ela, entre outros, que não vou citar porque senão seria spoiler. Sendo assim, ela acaba se entregando ao alcoolismo e a felicidade que a bebida lhe proporciona. Mas todos nos sabemos que isso não faz ninguém de fato feliz, e Melissa sente isso cada manha que acorda após uma noite de bebedeira, com uma enorme sensação de vazio e infelicidade.
Na noite da virada, ela conhece Daniel, um rapaz carismático, cheio de vida, com um grande dom pêra musica e um grande espírito de liderança. Logo fica claro que Daniel chegou para abalar as estruturas de Mel, mas orgulhosa do jeito que é, claro que ela jamais admitiria estar interessada nele, então qual atitude mais correta a se tormar? Exatamente, ela começa a desprezar o rapaz, e chega até mesmo a dar o apelido de vândalo para o rapaz.
Nem preciso dizer o quanto é gritante a diferença de personalidade dos personagens. Porém Daniel não é um rapaz de desistir fácil das coisas, e lógico que ele vai fazer de tudo, até mesmo colocar Mel presa a ele através de um acordo, para que enfim ela encare todos os seus fantasmas e possa finalmente ser feliz.
Logo no inicio do livro meu primeiro pensamento foi arremessá-lo na parede, porque convenhamos, a Melissa é uma personagem totalmente intragável, e a cada vez que ela falava sobre si mesma isso ficava ainda mais evidente, tanto que por diversos momentos senti vontade de entrar no livro, segurar a personagem pelos ombros e dizer: "Escuta aqui fofa, menos, bem menos, que você nem é essa coca-cola toda!". E quanto mais a história avançava, mais meu sentimento de tédio em relação a trama só aumentava, não pelo livro ser ruim, mas sim porque os personagens não conseguiam de forma alguma me convencer, primeiro porque eles eram totalmente diferentes, e ficava difícil de imaginá-los juntos, na verdade parecia inconcebível, já que Daniel era um garoto bom, disposto a ajudar todos, sem preconceitos e, Melissa era simplesmente o contrário. Fiquei o livro todo me perguntando como eles conseguiam ficar próximos um do outro, sinceramente eu não conseguiria.
Mas mesmo em meio a esse turbilhão de egocentrismo, preconceitos e outras tantas características negativas da personagem, eu comecei a enxergar uma Melissa machucada, solitária, triste e, que no fundo parecia só precisar de alguém que dedicasse a ela a atenção necessária, alguém de de fato a enxergasse por trás de todas aquelas máscaras. E foi exatamente isso que Daniel fez.
Preciso admitir que a autora arriscou e muito ao criar personagens como Melissa e Daniel, e o risco foi ainda maior quando ela decidiu que ia unir os dois na trama, mas o que realmente me impressionou foi quando ela decidiu abordar a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) como o drama principal na trama, eu confesso que faltou pouco para que eu chorasse, mas como ando vivendo um momento meio ogra e só consigo chorar diante da derrota que minha vida se encontra, posso dizer somente que fiquei bastante tocada, tanto com a delicadeza que o assunto foi abordado, como também da maneira que ele foi desenvolvido. E a surpresa foi ainda maior quando vi que a autora tinha apenas 17 anos (recém completados).
Apesar de se tratar de um Young Adult bem clichê, O Garoto do Cachecol Vermelho aborda diversos assuntos importantes como: transtorno alimentar, preconceito, violência doméstica, abuso sexual; ainda que de forma rasa, fiquei feliz que a autora quis usar esse espaço para abrir os olhos de tantos leitores e quem sabe assim abrir os olhos deles para cada detalhe.
Enfim, se você é fã de um romance fofo, e capaz de te fazer soltar aquele sorriso bobo, ainda que de formas involuntária, ou capaz de te arrancar lágrimas, esse livro é mais do que recomendado.

Um comentário:

  1. Oie, sempre que vejo essa capa me lembro da garota da echarpe verde. rs
    Eu não li nenhuma resenha dele e pela sua pude perceber que esse livro tem um profundo tema.
    A premissa dele parece ser bem especial. Fiquei encantada em saber que a autora é bem jovem e aborda assuntos polêmicos em seu livro, ainda assim estou com um desejo enorme de conhecer.
    Parabéns pela resenha *--*

    Beijos

    casinhadaliteratura.blogspot.com

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