Light Grey Pointer Uma vida Literária : Resenha: Quem é você, Alasca?

18 de junho de 2016

Resenha: Quem é você, Alasca?

Título: Quem é você, Alasca?
Autor: John Green
Páginas: 229
Sinopse: Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de "Grande talvez". Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, espirituosa, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao "Grande talvez".





Resenha:

Para ser sincera este livro  nunca tinha me chamado atenção e não faz o meu gênero de leitura, mas após muita insistência por parte de uma grande amiga, resolvi lê-lo. Admito que fiquei impressionada quando o terminei.

"Então, esse cara, François Rabelais. Era poeta. Suas últimas palavras foram: 'Saio em busca de um Grande talvez'. É por isso que estou indo embora. Para não ter de esperar a morte para procurar o Grande Talvez".

Miles Halter é um garoto de poucos amigos, que leva uma vida monótona, sem muitos acontecimentos impactantes. Tem como costume ler biografias e 'colecionar' últimas palavras. Cansado da situação de sua vida, decide ir para Culver Creek, uma escola preparatória em que o pai e parte da família dele já haviam estudado.
Lá ele conhece Coronel, seu colega de quarto que vem a se tornar seu melhor amigo. Coronel é aquele amigo que não está lá para sentir pena de você, mas sim para dizer que se não gosta de como as coisas estão, faça algo para mudar isso. É engraçado, criativo, rebelde, e muitas vezes, equilibra a relação explosiva e confusa da amizade de Miles com Alasca Young.
Alasca Young, de todos os livros que li, foi a personagem que ainda não decidi se gosto ou odeio. Ela é uma contradição ambulante, reflexiva, misteriosa e completamente impulsiva. Tem um espírito aventureiro, é extrovertida e altamente criativa. Não pensa muito nas consequência de suas atitudes e nunca dá para saber o que está se passando em sua cabeça.
Quando penso na Alasca, me vem aquela frase na cabeça "You only live once/ Você só vive uma vez". Ela parece querer viver todas as coisas em um único momento e por mais forte que seja a sua personalidade, carrega alguns traumas que a abalam frequentemente, mas não os expõe. Algumas atitudes dela no livro, me deixavam impaciente e frustrada, mas isso faz parte da sua complexidade e é isto que a torna única. Uma garota totalmente desinibida que não tem medo de dizer as coisas que pensa, sempre tem uma opinião formada e defende seus valores.
É ela quem constantemente está levando os outros á algo e não o contrário, e o impacto que ela causa na vida de quem a conhece é perceptível em todos os momentos do livro.  Apesar de apresentar todas essas características citadas e parecer ser fácil desvendá-la, Alasca sempre será uma incógnita.
Miles vê em Alasca um caminho para o seu grande talvez, ou quem sabe ela própria o era. Por ser totalmente intensa, ele acaba se deixando envolver com a personalidade dela, mas por vezes, lidar com um temperamento tão instável acaba sendo impossível para ele (e pra mim, rs).

“Não sabia se podia confiar nela e já estava cansado de sua imprevisibilidade - fria num dia, meiga no outro; irresistivelmente sedutora num momento e insuportavelmente chata no outro.”

Já Alasca vê em Miles uma forma de refúgio da conturbação contínua que é sua cabeça, como se quando estivesse com ele as coisas fossem um pouco mais leves.
Alasca faz tudo o que os pais de Miles o proibiram de fazer quando ele chegou no colégio. Ela fuma, bebe e se envolve em encrencas com frequência. Somos apresentados aos outros amigos de Alasca e Coronel, o buraco do fumo e alguns trotes estudantis que ocorrem no decorrer do livro.
Miles, cercado de novos amigos com características distintas, acaba se deixando levar diversas vezes, mas ainda assim tem uma parte 'responsável' e séria. Nunca é engraçado demais, ou falante demais, é aquele personagem neutro e extremamente paciente.
Este é o tipo de livro em que várias frases vão ser  extremamente marcantes e se encaixar em algo que você já vivenciou ou está vivenciando. O livro é narrado em dias, como uma contagem regressiva para algum acontecimento.

“Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então eu voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu seria garoa e ela, um furacão.”

O que mais marca no livro é a constante mudança de Alasca e tudo o que ela acaba causando na vida das pessoas, mesmo inconscientemente. É como se pudêssemos sentir toda a intensidade dela e a confusão que os sentimentos de Miles acabam se tornando no decorrer da vivência com a garota. Apesar de focar em sentimentos e ter partes impactantes, o livro tem uma narrativa leve e metafórica, que o torna muito reflexivo.
É o livro que sempre vou manter na estante para reler naqueles dias estranhos da vida, rs.

"Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar”

2 comentários:

  1. Esse é meu segundo livro favorito do autor (o primeiro é Cidades de Papel). Gostei muito da forma como ele construiu a relação de Miles com seus amigos, principalmente com o Coronel e a Alasca, que foi uma personagem incrivelmente bem construída. E, na segunda parte, gostei de como o autor desenvolveu o novo Miles, depois do acontecido. Acontecido esse que me chocou, achei bem corajoso. Já reli o livro duas vezes e contando...
    Ótima resenha! ;D
    https://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  2. Oi, tudo bem?

    Eu já o li duas vezes. Na primeira, achei sem sentido, mas aí fui reler e ele me ressignificou muito. O que mais adoro no John Green é a capacidade dele de falar a verdade por meio de metáforas e oferecer o lado oposto daquilo que se espera de um jovem. Me vi muito na Alaska e, ao mesmo tempo, no Miles. Acho que todo mundo busca, inconscientemente, um Grande Talvez, uma super chance de ser feliz e dar um up na vida. Mas, ao mesmo tempo, não esperamos que a vida nos traga pessoas que nos oferecem ótimas e péssimas coisas. Acho que a grande lição do livro não é "aproveitar ao máximo", mas saber o que aproveitar e o que descartar. A narrativa é um grande caminho para dentro de nós mesmos, o que me agradou muito na releitura, pois, na época, eu estava precisando de algo assim. Uma pena que não vai mais ser adaptado </3

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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